domingo, 20 de novembro de 2011

Zumbi dos Palmares: herói de quê?

Hoje é dia 20 de novembro. Para aqueles que não sabem, esse dia foi instituído como sendo o Dia Nacional da Consciência Negra pela Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003, no calendário escolar brasileiro. Recentemente, a Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, instituiu o dia 20 de novembro como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. A data foi assim designada porque, de acordo com o governo, o líder negro Zumbi dos Palmares, rei do Quilombo dos Palmares, foi morto no dia 20 de novembro de 1695. Mas quem é Zumbi dos Palmares?

Zumbi dos Palmares

De acordo com o site IBGE Teen, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), "Zumbi foi o grande líder do quilombo Palmares, considerado herói da resistência anti-escravagista." Em seu discurso no encerramento da reunião de chefes de Estado e de Governo do Encontro Iberoamericano de Alto Nível em Comemoração do Ano Internacional dos Afrodescendentes, sediado em Salvador/BA, a presidente Dilma Rousseff referiu-se a Zumbi dos Palmares como "[o] grande herói brasileiro do Quilombo dos Palmares, líder do primeiro grande movimento contra a escravidão." O site IBGE Teen também diz (grifo nosso):
Então, comemorar o Dia Nacional da Consciência Negra nessa data é uma forma de homenagear e manter viva em nossa memória essa figura histórica. Não somente a imagem do líder, como também sua importância na luta pela libertação dos escravos, concretizada em 1888.
A transformação de Zumbi dos Palmares em um herói nacional é uma das maiores falácias da História do Brasil. A imagem de que Zumbi foi um líder revolucionário movido por "grandes sentimentos de amor" -- como declarou ironicamente, séculos mais tarde, o argentino Ernesto "Che" Guevara -- e que o Quilombo dos Palmares era um paraíso de igualdade e justiça social é uma imagem que em nada condiz com a realidade. Zumbi era um líder autocrático que governava o quilombo com mão-de-ferro. Exigia ser tratado como um rei e que, de fato, recebia a deferência de um estadista não apenas de seus súditos, mas igualmente de representantes do governo colonial. Era sobrinho de Ganga Zumba ("Grande Senhor"), o primeiro Rei de Palmares.

Um fato meticulosamente mantido fora dos registros históricos oficiais é o de que Zumbi dos Palmares enviava esquadrões de ataque para fazendas vizinhas não com o intuito de libertar seus irmãos negros do jugo escravista, mas para roubar escravos dos senhores de terra em seu próprio proveito. Sim, Zumbi dos Palmares foi um dos maiores senhores escravistas de seu tempo. E não se engane: aqueles que ousavam fugir do "paraíso" quilombola de Palmares eram perseguidos por experientes capitães-do-mato e, uma vez recapturados, eram torturados e mortos em praça pública -- menos de 100 anos depois, algo semelhante foi conduzido em Paris durante a Revolução Francesa, período conhecido como "O Terror". Para saber mais, recomendamos a leitura do "Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil", de Leandro Narloch.

Enquanto Zumbi foi alçado à condição de herói nacional, um dos verdadeiros baluartes brasileiros da luta contra o autoritarismo governamental tem sido esquecido, quando não diuturnamente difamado: Joaquim José da Silva Xavier, conhecido como Tiradentes. Alferes da guarda, foi um dos líderes da Inconfidência Mineira, movimento revolucionário inpirado pela Revolução Americana de 1776. A principal luta da Inconfidência Mineira foi contra a instituição dos impostos da derrama e do quinto, que impunham uma tributação pesada aos empreendimentos auríferos. Esse espírito foi o mesmo que, em essência, guiou o Boston Tea Party, de 1773, o estopim da luta pela independência dos Estados Unidos: "No taxation without representation" ("Não à taxação sem representação").

Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes

Apesar de não haver relação aparente entre esses dois fenômenos -- a ascendência de Zumbi e o oblívio de Tiradentes --, esses dois processos estão intimamente relacionados. Dentro do mais profundo espírito do politicamente correto, não é de bom tom que um herói nacional branco, inspirado por idéias anglo-saxônicas, seja considerado maior e mais importante para nossa história do que um líder negro, que não se deixou "dobrar" ante "diretrizes eurocêntricas" e defendeu a "liberdade" através de uma legítima "resistência africana" (haja aspas!). O mesmo ocorreu, em menor medida, com João Cândido Felisberto (conhecido sentimentalmente como "Almirante Negro"), um dos líderes da Revolta da Chibata (22 a 27 de novembro de 1910): sua imagem tem sido largamente utilizada pela esquerda, que tem colado à figura de João Cândido os ideais "libertários" defendidos por socialistas, anarquistas e comunistas. Ironicamente, João Cândido foi um dos principais líderes da Ação Integralista Brasileira na cidade do Rio de Janeiro, além de amigo pessoal de Plínio Salgado.

João Cândido Felisberto

Zumbi dos Palmares lutou por seus próprios interesses. Tiradentes, também. Entretanto, os interesses de cada uma dessas figuras diz muito sobre elas: enquanto Zumbi queria manter seu domínio tirânico, sendo tratado como um soberano e sufocando qualquer questionamento à sua autoridade, Tiradentes queria restringir o poder do governo de taxar os indivíduos sem a devida representatividade, o que ele enxergava como tirania. Ao se olhar para essas duas figuras históricas do Brasil, surge a pergunta: qual deles realmente lutou pela Liberdade?

40 comentários:

  1. A opinião de vocês é baseada em que? Na história não registrada? Então vocês estavam presentes? Ou seguiram a base conservadora de como entendem as lutas sociais?

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    1. Hoje na academia em História já não se é novidade que Zumbi era dono de escravos, aliás, muitos abolicionistas do século XIX eram senhores de escravos, inclusive no meio urbano. Havia também muitos traficantes de escravos africanos que eram também de origem africana. como Félix, da família Souza na comunidade brasileira de Ouidá na África (Benin).

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  2. Eli,

    Isso foi registrado, sim. Quando falo história oficial, refiro-me àquela história que foi meticulosamente lapidada pelo mainstream "acadêmico". Alguns exemplos de registros:

    Edison Cordeiro - O Quilombo dos Palmares
    Flávio dos Santos Gomes - Palmares
    Andressa Merces Barbosa dos Reis - Zumbi: Historiografia e Imagens

    Zumbi não foi um representante das "lutas sociais". Zumbi foi um senhor de escravos ao estilo africano.

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  3. O grande ícone dos escravos-descendentes Zumbi - O pigmeu coxo (Sueca para os íntimos); tal qual sua "política" na falta de um termo melhor, também era gay, veio de uma etnia angolana “quimbanda” onde a homossexualidade era e é institucionalizada.
    Zumbi envenenou seu tio, Ganga Zumba, "rei"(hahaha) de Palmares e tomou o poder. Parece familiar?
    Mas tudo isso é culpa nossa, afinal, nós é que permitimos que estes espécimes alóctones invadissem nossos continentes. "Os erros devidos à bondade das almas são a coisa pior que há." (Karl von Clausewitz).
    Não obstante, falhamos ao perceber nosso erro e não tomar nenhuma atitude cirurgicamente adequada quanto a tudo isso.
    Agora nossa sociedade não estaria ameaçada e o mundo condenado a destruição certa e a ignorância advindo da desinformação. 14.

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    1. Aberração nazista que não teve nehuma observação contrária dos conservadores, mostrando a profunda ligação entre as duas correntes filosóficas.

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    2. O que ele falou está correto. Os próprios portugueses quando no Congo no século XVI encontrou dificuldades para impor o Cristianismo, pois os congoleses eram poligâmicos e em algumas tribos eram homossexuais.

      E Zumbi era dono de escravos. Agora, uma verdade nisso é: Na falta de heróis, se cria heróis... e aí quem é que vira herói? Zumbi com a veste de abolicionista? façam me rir! hipocrisia. O fato é que os descendentes de negros no Brasil, nesses 500 anos, até agora não tem herói! e então surgiram com o Zumbi. Ridículo

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    3. Concordo com o comentário do Marco. O fato do perfil do blog ou do Felipe Melo não demonstrarem nenhuma contrariedade ao comentário rabidamente neonazista aqui encima - enquanto a demonstraram em relação a outros - já é um bom indicador das afinidades da Juventude Conservadora da UnB.

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    4. Podemos ser negros ou brancos,de religioes e crenças diferentes.Todos merecem respeito e oportunidades...todo mundo.Somos todos iguais por dentro,e filhos de Deus!

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  4. Parabéns, JCUnB.

    Brilhante texto.
    Os tontos e politicamente corretos, ou que gostam de ser vítimas da mistificação, que acreditem no que quiserem.
    Para esse pessoa,l o Paraguai também foi uma vítima do Brasil. Mal conhecem a real história de Solano Lopez que começa a aparecer em estudos recentes de pesquisadores ingleses e paraguaios.
    O livro do Leandro Narloch é uma excelente referência!
    Ab
    Gutenberg
    Laudaamassada

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  5. Desde meus tempos de UERJ, onde me formei em História, em 1977, que Ganga Zumba era reverenciado como o verdadeiro representante da resistência negra contra a escravidão, assim como verdadeiro fundador e gestor do quilombo de Palmares. Zumbi nunca foi louvado lá, ao menos no meu tempo; Ganga Zumba, esse sim.

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  6. Racistas conservadores!

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  7. falar contra zumbi em plena semana da consciência negra e ainda compará-lo e diminui-lo diante de um "herói" branco deixa TÃO evidente o racismo de vocês! se o problema é com zumbi, que tal falar da luta de outrx herói ou heroína negrx pra contribuir com a semana da consciência negra? ah, desculpa, a vocês não interessa reconhecer lutas negras, né? de onde vocês tiraram que não é de bom tom que um herói nacional branco seja considerado mais importante do que um(a) líder negrx? no meu planeta, quase todos os "heróis" forjados pela história oficial são brancos! vocês são loucos ou só se fazem de idiotas? ou essa é só mais uma estratégia de vitimização dessa direita esquizofrênica? a única coisa que me deixa feliz ao ler tanta merda é perceber o quanto a direita tá se cagando com medo de perder ainda mais privilégios.

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    1. Na Europa quem está crescendo é a direita, o Povo está cansado dos governantes socialistas que estão acabando com a cultura daqueles povos, de sua tradição e legalizando isso e permitindo aquilo, pois quem manda no poder é o povo e o povo não quer certas coisas.


      Quanto ao Zumbi... Tudo que eu li não passa de verdade. Você vem com essa típica revolta de gente coita e com ar de oprimido dizer isso e aquilo, o fato é que a maioria dos heróis não passam de uma farsa e imposição. Zumbi não é motivo para feriado, é motivo para vergonha! No século XIX muitos traficantes de escravos eram negros, seja no Brasil ou África, fora nos outros países europeus com relação com suas colônicas no Caribe e relações transatlânticas com a África.

      Sou branca, não tenho herói e nem quero, mas eu tenho uma coisa, orgulha pela minha origem. Por que busco nela as virtudes que um ser humano pode ter e deixar para humanidade. Guerras todos fazem, mas entre a guerra eis que a Arte sempre resiste, e é isto que alimenta a alma, junto com a esperança... e eu busco nestes povos essa força, é a minha constituição. Não me fortaleço em um herói por que a maioria são farsas, mas me fortaleço na cultura do povo, do meu povo.
      Creio que todo mundo deva fazer isso, se orgulhar de sua origem, independente do passado, sempre haverá alguma virtude ou algo para se orgulhar.

      Quanto aos heróis negros, acho que quem tem que fazer isso são os historiadores e os negros, buscarem algo para se orgulharem nesta etnia, e não se sentirem ofendidos por que um branco disse que Zumbi tinha escravos, pq isso é verdade. Usem a crítica para melhorarem e perceberem os próprios erros. Só assim se supera.

      Sou racista por ter orgulho de minha origem branca?

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  8. Bruna,

    Antes de você defecar em prosa e verso -- aliás, bastantes sofríveis em seu caso --, recomendo duas coisas: 1) aprenda a escrever; 2) aprenda a interpretar um texto.

    Zumbi dos Palmares era um protótipo de rei africano absolutista que escravizava seus próprios irmãos negros. Sob todos os aspectos, ele não seria jamais digno da honraria de "herói". A urgente necessidade de se forjar historiograficamente um herói negro simplesmente levou as pessoas a não reconhecerem Zumbi como ele realmente foi: um senhor de escravos autocrático.

    Não sei se você leu em nosso texto, mas fizemos uma menção bastante honrosa a João Cândido, líder da Revolta da Chibata. Ele era negro. Ele foi uma figura de vulto. E ele não lutou em nome de uma pseudo-consciência de raça, como as pessoas tentam colar à imagem de Zumbi dos Palmares: ele lutou contra os castigos corporais de todos os marinheiros, negros e brancos e mestiços.

    É esse pensamento racialista mesquinho -- que Zumbi merece toda a consideração apenas por ser negro, e que Tiradentes merece ser desconsiderado apenas por ser branco -- é o que tem afundado o País em um maniqueísmo racista bastante semelhante ao da Ku Klux Klan ou da Nação do Islã. Parafraseando Martin Luther King, o heroísmo de alguém não está na cor de sua pele, mas no conteúdo de seu caráter.

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    1. É conveniente lembrar, ou melhor, NUNCA ESQUECER, que os povos que aderiram ao socialismo tinham sérias razões para achar isso melhor que a vida que levavam, Toda ação...
      Mas aos que têm 3/4 de sangue branco e se dizem 100% negros: pra que Zumbi ? Esqueceram-se de Henrique Dias? Querem mais heróis negros: tem de monte, e capitalistas http://hereditarios.livreforum.com/t34-servico-de-preto?highlight=servi%C3%A7o+de+preto

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    2. Bom dia. Eu li o texto e gostei dessa discussão. Não tô aqui para dizer o que é verdade ou mentira. Mas para falar no que acredito. Pra mim, Zumbi dos Palmares será sempre um líder da resistência contra o escravagismo. Que ele "roubava" escravos dos senhores de terra, sim, era verdade! Mas a forma que vocês abordaram, no meu conceito, está errada. Ele capturava escravos dos senhores de terra para tirá-los da escravidão e levá-los para o Quilombo. Acredito que isso era feito por amor ou por algum ideal. Pois tenho certeza de que muitos escravos tinham medo de fugir das casas dos senhores com medo de serem perseguidos e mortos. Claro que antigamente não existia essa organização toda na sociedade. Mas temos que entender que ele resistiu contra a escravidão e isso é fato. A questão de que ele era tido com um homem rigoroso no Quilombo, também era verdade. Porque ele não aceitava que um ex-escravo ficasse em Palmares sem fazer nada. Muitos escravos que iam para o Quilombo, pensavam que estavam livres e que não tinham mais obrigação com nada. Mas ele obrigava essas pessoas trabalharem no plantação, colheita, na segurança do Quilombo e outras coisas mais. Zumbi Vive e permanecerá! Abraços.

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  9. Antes de julgar uma pessoa vc precisa realmente saber se é fato ou história quem de vcs estavam lá ou teve um parente que deixou algo que comprovasse,sabemos que em todo reinado ou exercito existe hierarquia e dominio do mais forte vc precisa as vezes governar com mãos de ferro, só quero deixa bem claro que os fazedeiros e todos os caras que escravizavam os negros não eram bonzinhos, vcs estão colocando zumbi como se fosse um cara do mau e os fazedeiros como as vitimas eles tinham mais é que roubar mesmo porq eram eles que trabalharavam de sol a sol sem ganhar nada e apanhando que era o pior,ninguem merece passar oq os negros passaram no Brasil tirados de suas terras separados de suas familias, queria ver se vc ia gostar se tirassem de vc um ante querido seu filho "por exemplo", e nunca mais vc podesse velo os negros não tinham culpa de está em uma terra distante eles não tinham ninguem por eles e tinha que se virar.Bom se vc fosse capiturado e levado para uma terra distante e fosse feito de escrava vc não seria revoltado, Zumbi não se conformava com os negros que não tinham coragem de lutar por sua liberdade e que fugiam pra ser escravo novamente será que vc não seria revoltado com quem estaria te escravizando, me desculpe eu não te conheço e nem quero te conhecer vc deve ser um racista e um cara que não deve saber nada da vida se ponhe no lugar dessas pessoas que foram exploradas covardimente e que hoje atraveis de Zumbi são lembradas merecidamente toda a nacão negra.
    Zumbi só é um marco da história que representa toda nação negra na luta pela igualdade e sua liberdade, e para finalizar não se esqueça que o negro também construiu as riquezas do nosso Brasil...!

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    1. Nação negra? o que que é isso? se existe uma nação negra, existem nações amarelas, brancas, pardas, vermelhas e que tais?

      Acredito que os brasileiros formem uma nação, como um todo, independente da cor da pele.

      se pudermos considerar que os negros são uma nação, dentro do brasil (assim como dizem das "nações indígenas", ou seja, não fazem parte da nação brasileira, que fundem o seu próprio país, ou retornem à Africa, local de origem, e vivam a vida que se vive lá.

      Nós não somos obrigados a aceitar tais elocubrações sobre nações distintas dentro de um país, seja ele qual for. Isso somente causa a sisanea entre a população, prejudicando as relações entre as pessoas.

      Não acredito em heróis ou vilões da vida real, especialmente quando retratado nos livros de história, tendo em vista que os textos alí contidos são carregados de ideologia, visões pessoais e de entendimentos fora do contexto da época. Mas acredito sim na história que está sendo escrita, não de ouvir falar, mas de vivenciá-la no dia-a-dia, e sei que realmente existe um grupo de pessoas de destaque na política, cujo poder está em suas mãos, que estão, aos poucos, violando os sentidos das pessoas de bem, impondo-lhes uma agenda que não atende aos interesses do país, mas ao seu desejo de poder ilimitado (regado à grande doses de corrupção e locupretamento).

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  10. Amigos, quero tecer alguns comentários, organizados, pra não deixar nada passar:

    1) Com relação ao blog e ao(s) autor(es) do texto: Vocês estão de parabéns. Excelente texto, excelentes argumentos, excelentes lembranças e ponderações.

    2) Com relação aos comentários dos leitores: alguns padrões claros se repetem, em alguns comentários, "que por pura coincidência" tem o mesmo conteúdo.

    a) Padrão da ignorância (percebido em diversos comentários nesse e em outros blogs):
    a.1 - Não saber escrever (sem o mínimo de coesão, coerência e, porque não, gramática);
    a.2 - Não saber argumentar (não existe linha argumentativa, não existe uma construção lógica das idéias, não existe nada que sustente uma posição... QUANDO existe alguma posição clara a ser defendida);
    b) Padrão da ausência: Não se identificar. Não assumir a responsabilidade pelo que se escreve.
    c) Padrão da arrogância: Porque eu, um liberal assumido, me coloco o tempo todo na posição de questionador. Questionando, inclusive, meus principios liberais. Sem medo de encontrar respostas contraditórias ou melhores teorias que produzam melhores resultados. Porque, afinal de contas, só me identifico com o conjunto de pressupostos liberais pela coerência e melhores resultados sociais e econômicos que são gerados pelos mesmos. "Nada é mais perigoso do que uma idéia, quando esta é a única que você tem." - Emile Chartier

    Em suma, um recado aos IDEALISTAS IGNORANTES: um dia, quem sabe, eu encontre um esquerdista inteligente, que escreva de forma satisfatória, que entenda que os resultados acontecem por mérito e esforço e que uma discussão intelectual tem como objetivo produzir melhores teorias e ações, e não "fazer o outro se convencer de que tenho razão". Anseio por esse dia.

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    1. Maaaaanoo, depois do seus comentários, eu virei a mesa do computador kkkkkkkkk

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  11. Este comentário foi removido pelo autor.

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  12. Caro ignorante Gustavo Basso quanto aos comentários dos leitores verifiquei no item a (padrão de ignorância) um erro gramatical grave: o uso do porque junto quando o correto seria o uso do por que separado.

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  13. Falar que o Tiradentes foi renegado na história oficial é no mínimo forçar a barrar. É esquecer todo o uso da sua imagem na Primeira República, muitas vezes o associando a Jesus (como se vê na pintura Tiradentes Esquartejado). além disso, o seu nome está no livro de aço dos heróis nacionais

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    1. Sim mas isso é História oficial, sempre estará lá. Mas hoje há uma certa desconstrução da imagem dele, e em relação a Zumbi há uma certa Construção idealizada de sua imagem assim como foi feito com Tiradentes. Pra mim os dois foram tudo alvo de idealizações, não os vejo como heróis, muito menos Zumbi que tinha escravos.

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  14. Prezada Claudia Santos, sou muito grato pela correção! Vou me atentar a esse detalhe das próximas vezes.

    Mais alguma observação relevante? Com relação à abordagem mais importante neste artigo (que é a linha argumentativa sobre o tema), você enxerga algum erro ou incoerência?

    PORQUE já que estamos falando de erros, vamos aos erros de fato, e aos erros de fato importantes.

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  15. Nossa, a argumentação fática é abaixo da crítica, e a política é bem a cara do Paulo Maluf, e acho que ele mesmo já falou algo assim. É o primeiro texto da história que merece a alcunha de asqueiroso. Ou seja, um mix de péssima pesquisa com um leve odor de extrema-direita.

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  16. É indiscutível que a verdade incomoda muito, os hipócritas que querem se passar por vítimas!

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  17. Na posiçao de aprendiz e eterno investigador, procuro sempre ter a auto-instigação como princípio para todo tipo de informação que me é fornecida.
    Neste processo a adoção de uma posição extrema é prejudicial em dois sentidos: primeiro pra mim mesmo quando deixo de me abrir ao conhecimento; segundo para os outros, pois posso fomentar até mesmo movimentos de conflito(quando consigo influenciar outras pessoas). Sendo assim fico grato pelo texto e pelos comentarios, até mesmo os mais ásperos e de posicionamento extremista, pois agora possuo uma visão melhor sobre Zumbi dos palmares.

    Penso que esse tipo de comportamento se faz necessário para buscar soluções para diversos conflitos de teor ideológico( conflitos estes que historicamente têm o custume chato de se transformarem em guerras, preconceito e males do gênero). Neste raciocínio me baseio naqueles que alcançaram um nível de conhecimento além do censo comum(claro) e além de posicionamentos carregados de egocentrismos e vaidades intelectuais ocultadas.

    Talvez esse seja o caminho para alguma resposta, se é que existe, mas por motivo estratégico mesmo, devemos adota-lo, já que com o tipo de comportamento que tem sido utilizado ainda não alcançamos o êxito - basta ver por exemplo a contudente segregação social em nossa Brasilia onde temo sim diferenciaçao de classe e renda por etnia!-.

    Rafael Almeida - Arqu. e Urb. UCB

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  18. Parabéns! Parabéns! Que a Razão prevaleça sempre!

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  19. Senhores, a verdade é uma só: nosso país está mergulhado na mentira, na hipocrisia, na farsa! O mundo pertence a quem luta de forma leal, justa e imparcial! Para vencermos as agruras da vida e progredir, devemos trabalhar e estudar com afinco! Sem depender dos governos e de seus "programas sociais" imperfeitos! A ideologia do "politicamente correto" está "aprisionando" o Brasil, transformando-o numa nação menor, sem liberdade, dividida!
    Senhores, não vejo um grande futuro para este país! Bola da Vez? Ora, somos a "eterna fazenda" do mundo: éramos colônia de Portugal; depois, Inglaterra e EUA nos "colonizaram"! Hoje, exportamos apenas alimentos (produto com pouquíssimo valor agregado) para saciar a fome do nosso "novo patrão": o Dragão Chinês!!!!

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  20. http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/zumbi_um_heroi_cercado_de_misterio.html

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  21. Achei o texto excelente, até ter como fonte o livro de Leandro Narloch, que aliás, eu li e achei repulsivo. Embora eu tenha uma visão semelhante em relação aos heróis nacionais, o fundo da questão é o que realmente me preocupa: A tentativa de desmoralizar a qualquer custo a ideologia de esquerda.

    Apesar de defender ideais de esquerda, identifico inúmeros problemas em figuras como Trotsky, Guevara, Bakunin, Zapata e tantos outros. Se não tivesse críticas, seria uma reprodutora e não um ser crítico. No entanto, quando encontro pessoas com o mesmo fervor de uma Marxista a defender posições conservadoras, baseados em outros tantos "ídolos", não consigo ver diferença para além do lado que se defende.

    Não se tratar de defender os esquerdistas, mas essa tentativa de categoriza-los como terroristas e autoritários não é tão diferente do que - segundo você mesmo citou muitas vezes - eles fazem com os conservadores, chamando-os de fascistas. No fundo é o que na prática se dá: Uma guerra ideológica, que mata e oprime, porque somos incapazes de respeitar-nos e construirmos uma visão mundo. No fundo a teoria da seleção natural como evolução da espécie se dá inclusive, no aspecto social e organizativo, quem conduz e se adapta melhor, sobrevive.

    O extremismo seja de que lado for é uma cegueira incurável. As ideologias matam de ambos os lados, seja pela faca, ou pela inércia. E você, caro autor desse blog, por mais que tente passar uma imagem de pacifista que acredita na liberdade, não passa de mais um conservador tão autoritário quanto qualquer comunista, ou anarquista que vai defender seu ponto de vista. Seus textos tem uma tentativa de convencer o leitor do seu ponto de vista tanto quanto qualquer outro site de movimentos sociais. Você apenas está do outro lado.

    Aliás, diga-se de passagem, fico abismada que você tenha conseguido ler tantos autores esquerdistas de forma tão profunda com a sua idade. parabéns! Sua leitura deve ter sido realmente crítica e profunda. Não sei porque alguns teóricos passaram a vida toda para estudar apenas um autor, afinal, como você mesmo pontuou em seu perfil, basta apenas uma leitura mais profunda desses autores para perceber sua prática dessegregatória e dissimulada.

    Ah, só uma última observação, abordar Adam Smith como conservador é quase uma distorção da realidade. Não sei se é o que você pontua, mas é o que fica subentendido nas páginas do blog. Adam foi um liberal teórico da economia de mercado que brilhantemente - diga-se de passagem - irá descrever sua bela tese econômica. O liberalismo, enquanto corrente filosófica é riquíssimo, sobretudo para analisarmos o laissez faire da atual sociedade de mercado, que de conservadora, não tem quase nada. Muito pelo contrário, vive em discurso de liberdade, mas ao cair na prevista degeneração, precisa recorrer ao estadismo para sobreviver. O mesmo que tanto crítica.

    E ai meu caro conservador, eu realmente gostaria de entender. No âmbito da teoria, você irá defender a conservação da sociedade como está organizada ou apenas defender a liberdade?

    porque teoricamente há uma abissal distância entre um conservador e um liberal, embora na prática essa diferença não se manifeste.

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    1. Jess Lice,

      Muitíssimo obrigado pelo seu comentário. Tenho poucas oportunidades de responder a comentários que abordem tantas questões de modo profundo. Espero poder conseguir responder a tudo.

      Primeiramente, as pessoas elencadas na barra do blog representam as pessoas que, de alguma forma, influenciaram meu pensamento de alguma maneira, e neles se encontram liberais clássicos (Smith, Tocqueville, Hayek, Mises, Bastiat), conservadores (Burke, Voegelin, Nabuco, Barbosa, Kirk, Carvalho) e libertários (Rand). Você vai encontrar postulados mutuamente excludentes entre esses pensadores - Rand, por exemplo, achava que o altruísmo era uma espécie de coletivismo, e era uma ferrenha defensora do aborto -, assim como encontrará convergência em muitas outras coisas - a defesa da liberdade individual, a limitação do poder do Estado, a defesa do livre mercado, dentre outras.

      Adam Smith, ao contrário do que você pontuou, não foi "um liberal teórico da economia de mercado". Smith, antes de mais nada, era professor de Filosofia Política na Universidade de Glasgow, na Escócia. Assim como dois de seus contemporâneos - Edmund Burke e Samuel Johnson -, Smith postulava que não era possível afastar a política da moral, e que um bom governo devia se basear no exercício de uma boa moral pública - um pensamento que se aproxima, em certa medida, do que cria Thomas More. A teoria econômica do livre mercado desenvolvida por Smith em "A Riqueza das Nações" é fruto direto de suas reflexões filosóficas - que podem ser encontradas em larga medida na obra "A Teoria dos Sentimentos Morais".

      Quanto ao pretenso fato de "por mais que tente passar uma imagem de pacifista que acredita na liberdade, não passa de mais um conservador tão autoritário quanto qualquer comunista, ou anarquista que vai defender seu ponto de vista", devo veementemente discordar delas. Em primeiro lugar, eu jamais quis passar uma imagem de pacifista. Longe de mim! Se há algo que eu não sou é pacifista; se o fosse, jamais teria tido a ideia de fazer este blog e seguir adiante com ele. Em segundo lugar, eu jamais defendi que anarquistas ou comunistas devessem ser privados de seu direito de expressão, ou que devessem ser sumariamente fuzilados, ou que devessem arrancar suas propriedade e lançá-los em prisões para que apodrecessem pelo resto da vida. Jamais defendi que algum poder devesse silenciá-los, censurá-los ou matá-los. Defendo minhas ideias com clareza e honestidade, sem recorrer a subterfúgios.

      Por último, eu não defendo "a conservação da sociedade como está organizada", mas defendo a conservação daqueles valores sobre os quais toda a civilização foi organizada: de que existe uma ordem moral transcendente inelutável fora da qual tudo o que se tenta fazer é ilegítimo e danoso ao homem.

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    2. Olá Felipe.
      Creio que algumas coisas se tornam mais clara depois de sua resposta.

      Sobre Adam Smith, apesar de concordar com você que o trabalho dele se foca muito mais na questão moral (ou sobre esses princípios) sua grande contribuição mesmo está na teoria econômica, pelo menos hoje.

      Sobre a defesa de suas ideias, acho legítima e em muitas questões eu até concordo com seu ponto de vista, apesar de ideologicamente "estarmos em lados opostos". Mas as vezes me preocupa que possamos cair no extremo da ignorância, que implica em defender a nossa ideia acima dos fatos. Por isso eu concordo muito com você em um aspecto: Precisamos estudar todos os lados. Uma pessoa de esquerda que nunca leu um autor conservador, ou liberal, terá pouca argumentação até para defender seus ideais. E vice e versa.

      Sobre a questão moral, eu não discordo em todo que há uma ordem moral geral, mas tenho muito receio que ela seja tomada como imutável através dos tempos e inflexível. Mas comentarei isso em outros textos, conforme eu for lendo seu ponto de vista sobre essa questão.

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  22. Este é o resultado dos moldes da midia e das censuras,pessoas que enchergam a historia como se fosse no formato dos livros da oitava serie,caiam na real...saiam desta redoma de vidro da ignorancia onde o poder governamental quer que vc fique.Tirem a trave do olho de vcs...na verdade, os africanos lá na africa venderam seus irmãos,os lideres das aldeias,venderam seu povo aos mercadores.Enganaram os ignorantes e ambiciosos negros,dizendo que aki eles teriam riquezas,oferecendo ofertas de trabalho...o que na verdade foi o contrario.

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  23. Ola juventude Nazita da UNB..

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    1. Olá, Anônimo ruminante e analfabeto. :)

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    2. Ola Felipe Melo, tudo certo?
      Também tenho um comentário sobre este assunto. Muitos falam coisas a respeito de Zumbí, ou de qualquer outro assunto, com um olhar de leigo. Para um historiador só se afirma isso ou aquilo se tiver provas escritas sobre o fato em questão.
      Sobre Zumbí se sabe muito pouco, para não dizer quase nada. O que se encontra é um registro policial de um confronto dos homens de Palmares com a polícia, o restante são histórias contadas de boca em boca e suposições. A vida de Zumbí está no campo hipotético. Desta forma não podemos tê-lo com herói ou como anti herói.

      Fato: As nações africanas eram inimigas há séculos.

      Fato: Na África existiam sociedades escravocratas.

      Fato: Essa rivalidade continuou no Brasil.

      Fato:A consciência de igualdade entre os negros se deu a partir do século XIX.

      Fato: Por querer estabelecer em Palmares uma nova África indica que Zumbí não se sentia filho desta terra.

      Fato: No século XVII não existia a brasilidade. Ela surgiu no final do século XVIII.

      É muito estranho um governo instituir com herói uma pessoa cuja vida não se tem conhecimento pleno. A impressão é que essa imagem foi forjada.

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  24. Não resta a menor dúvida de que Zumbi teve escravos a seu serviço. Ele era banto, aclamado como rei por todos os bantos que compunham o quilombo dos Palmares. Os escravos eram de outras etnias. É evidente que, naquela época, os africanos que viviam no Brasil mantinham as disputas e lutas que haviam na África. Eram inimigos mortais de outras etnias, não se consideravam do mesmo povo apenas por serem da raça negra. O engraçado é que muitos descendentes dessas outras etnias (cabindas, angolas, iorubás, ibos, senegaleses) hoje celebram Zumbi como herói, sem saber que seus ancestrais foram escravos aprisionados em Palmares. E simplesmente esquecem os negros que realmente merecem ser reverenciados por sua luta a favor da libertação dos escravos, como José do Patrocínio e Luiz Gama.

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