quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Greve, vagabundagem e perseguição na UnB

No dia 21 de setembro, os servidores da UnB, em assembleia, decidiram, em votação unânime, retomarem as atividades que haviam sido interrompidas no dia 16 de março. Foi a greve mais longa da história do País, totalizando seis meses e uma semana (ou 187 dias). O retorno às atividades foi decidido após a Ministra Carmen Lúcia, do STF, ter concedido liminar, no dia 16 de setembro, que garantia o pagamento da URP a todos os servidores técnico-administrativos da mesma forma como era feito antes de todo esse imbróglio.

No dia 20 de setembro, a Advocacia-Geral da União (AGU) encaminhou parecer à UnB onde determinava que o pagamento da URP teria de ser feito com base nos vencimentos de 2005 e apenas aos trabalhadores sindicalizados. O Sindicato dos Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), ante o parecer da AGU, encaminhou contestação e convocou nova assembleia para o dia 28 de setembro, ontem, em que seria decidido a possível retomada da greve. Durante a assembleia, a secretária de Recursos Humanos da UnB, Gilca Starling, leu a resposta da AGU à contestação: os pagamentos deveriam ser feitos com base nos vencimentos atuais e para todos os funcionários. Apesar de resolvido o problema, a assembleia do Sintfub decidiu pela retomada da greve.

Diante de toda essa novela interminável, muitas críticas foram feitas contra os servidores. Um dos maiores críticos da greve foi o Prof. Marcelo Hermes-Lima, do Instituto de Biologia. Em seu blog, sempre foi crítico contumaz do movimento grevista. Expressando sua opinião sobre a greve, disse:

O pior dessa estória, é que cerca de metade dos funcionários da UnB não entram em greve. Mas eles precisam trabalhar dobrado para suprir as necessidades do serviço na universidade, já que a outra metade da tchurma (Los Vagabundos) está jogando baralho ou de férias permanentes em Maceió!

A reação às críticas do Prof. Marcelo foi, no mínimo, emblemática: ameaçaram sua integridade física. Sabe o clássico "te pego na saída", típico da turma do valentão da classe no colégio? Exatamente isso. Como se não bastasse o destempero e o despropósito dessa ameaça, foi divulgado que se pretende entrar com uma ação judicial contra o Prof. Marcelo por calúnia, injúria e difamação. O curioso mesmo é que o Prof. Marcelo não foi o primeiro - nem o único - a falar sobre isso. Leiam a declaração abaixo.

Quando eu entrava em greve, eu sabia que a cada dia de greve eu perdia o domingo. Eu sabia que com um determinado número de dias de greve eu perdia o Fundo de Garantia, eu perdia o 13º, eu perdia as férias. Então, quando eu determinava uma greve, eu sabia que era uma disputa em que eu podia ganhar e podia perder. Mas algumas categorias entram em greve e ficam 40, 50, 60, 80, 90, 100 dias de greve e recebem o pagamento. Você pode chamar isso de greve? Não. Isso, na verdade, são férias, na minha concepção sindical.


Quem fez essas declarações? Ninguém menos que o presidente Lula, que, vale lembrar, foi líder sindicalista. Uma pergunta que se impõe é: será que os servidores que ameaçaram o Prof. Marcelo também pretendem atacar fisicamente o Lula? Será que também pretendem processá-lo por calúnia, injúria e difamação?

Diante desse quadro alarmante, gostaríamos de ressuscitar uma pensadora que é, no geral, desconhecida e ignorada pela maioria das pessoas, mas que se configurou numa das maiores personalidades do século XX: Ayn Rand. A real natureza que permeia a ameaça à vida e à integridade do Prof. Marcelo foi bem explanada pela filósofa na seguinte afirmação:

"Nenhum homem - ou grupo, ou sociedade, ou governo - possui o direito de assumir o papel de um criminoso e começar a utilização da compulsão física contra qualquer homem. Os homens têm direito de usar a força física apenas em retaliação e apenas contra aqueles que iniciam seu uso. O princípio ético envolvido é simples e bem definido: é a diferença entre assassinato e legítima defesa. Um assaltante procura ganhar um valor ou riqueza matando sua vítima; a vítima não fica mais rica matando o assaltante. O princípio é: nenhum homem pode obter qualquer valor de outro recorrendo à força física." (RAND, Ayn. A virtude do egoísmo. São Paulo: Ortiz, 1991, p. 44)

A Juventude Conservadora da UnB presta seu incondicional apoio ao Prof. Marcelo Hermes-Lima e a todos aqueles que, em virtude da defesa de ideias que ameaçam o establishment ideológico em nossas universidades, são ameaçados e perseguidos, seja de maneira ilegal e imoral, seja com a interveniência do Estado.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

UnB: terra sem lei

Pessoal,

Temos reiteradamente publicado e divulgado ocorrências de violência dentro do campus Darcy Ribeiro. Temos igualmente alertado para o caos generalizado que se instalou na universidade e denunciado repetidamente a pasmaceira e a omissão da Reitoria. Pois bem: a UnB foi, infelizmente, palco de mais um ato de violência. Recebemos, por e-mail, o relato da vítima, uma estudante de Psicologia.

Voltamos a repetir aquela pergunta que não quer calar: será que a Reitoria vai esperar alguém morrer para tomar alguma providência?

Reproduzimos abaixo o relato da estudante.

À comunidade da UnB, à direção do Instituto de Psicologia, à prefeitura do campus.

Escrevo para contar/alertar/desabafar que hoje, segunda-feira, 20/09/2010, por volta de 20h10, quase fui vítima de um assalto à mão armada, do qual escapei por pouco, dentro do Campus.

Uma amiga (recém-formada pela Psicologia) e eu havíamos saído no meu carro às 18h do ICC e deixamos seu carro estacionado. Ao retornar à UnB poucos minutos depois das 20h, deixei-a em seu carro e subi o estacionamento, tomando o primeiro balão (sentido sul-norte) bem em frente ao Multiuso, e pegando a rua de mão única e mal iluminada que liga o Campus à L3.

Um carro que vinha atrás de mim me ultrapassou pela esquerda, forçando meu carro contra o canteiro até me fechar completamente e me obrigar a parar. Cheguei a abaixar o meu vidro porque na confusão e no escuro acho que pensei que queriam informação. No banco do passageiro um homem armado gritava mandando “para o carro ou morre”. Estacionaram à frente do meu, o homem desceu do carro e veio na minha direção, empunhando a arma. Consegui escapar engatando a ré e acelerando tudo que pude até o referido balão. Vi o homem voltando pro carro, que acelerou.

Não consegui checar a placa ou o modelo do carro – apenas que era um carro preto, parecido com um astra (ou um carro sedan de médio porte, não tenho certeza) com vidros fumê muito escuros. Não sei se havia mais alguém além do motorista e do homem que desceu do carro – este era branco, de estatura média, magro, e estava vestido com camiseta e calça escuras.

Quando voltei à rua paralela ao estacionamento (que passa à frente do Banco do Brasil e do RU), avistei uma viatura da polícia, fui até eles e contei o que pude sobre o acontecido. Estava muito nervosa e tremendo, e não consegui me lembrar de todos os detalhes relatados aqui. Liguei pra minha amiga e ela estava tranquila, a caminho de casa.

Mando este e-mail como um alerta para todos e principalmente todas que frequentam a UnB à noite, mas também como um desabafo. Recentemente uma professora grávida foi assaltada à mão armada. Há meia hora quase foi minha vez. Isso não pode continuar, simplesmente. Por agora nem sei mais o que dizer.

Agora estou bem, em casa, imaginando onde e como estaria se por acaso meu carro tivesse morrido, se não tivesse acelerado na ré com tanta força, se o cara tivesse disparado, se, se, se.

Abraço a todxs.

Thessa Guimarães
Graduanda de Psicologia da Universidade de Brasília

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Eleições, marketing e greve na UnB

Hoje, dia 21 de setembro, após mais de seis meses de paralisação, os servidores da UnB deram fim à mais longa greve da história do País. Durante esse seis meses de paralisação, os serviços mais básicos da universidade - Biblioteca Central dos Estudantes (BCE), Restaurante Universitário (RU), almoxarifado, secretarias de curso, dentre outros - não funcionaram, ou funcionaram de maneira bastante precária, prejudicando um universo de cerca de 30 mil alunos. O semestre correu aos trancos e barrancos, como todos bem sabem. Esse texto não pretende, entretanto, entrar no mérito da greve, mas abordar um fato muito interessante- e, de certa maneira, emblemático - que ocorreu durante a paralisação dos servidores da UnB.

Em sua propaganda eleitoral exibida na TV no dia 24 de agosto (para vê-la na íntegra, clique aqui), cujo tema foi educação, os atores contratados pela equipe de marketing falam às câmeras enquanto caminham por entre estantes de livros. Quem é aluno da UnB, certamente deve ter achado o ambiente, no mínimo, familiar. Qualquer semelhança não é mera coincidência: as prateleiras por entre as quais os atores caminham são da BCE. O fato foi notícia na imprensa.

Uma pergunta não pode deixar de ser feita: por que Dilma Rousseff é mais especial do que os 30 mil estudantes da Universidade de Brasília? O que tem de tão especial a candidata de Lula que, magicamente, garante-lhe preferência de acesso à BCE em detrimento dos alunos da universidade? A resposta não se encontra unicamente na candidata em questão, mas no chefe da administração da UnB: o reitor José Geraldo de Sousa Júnior.

O prof. Sidio Rosa de Mesquita Júnior, da Faculdade de Direito da UnB, publicou recentemente em seu blog um pequeno texto acerca desse fato, no mínimo, bizarro. Gostaríamos de destacar um trecho particularmente esclarecedor de seu texto:

A UnB está na maior greve de toda história do Brasil, sem que alunos carentes tenham acesso à sua Biblioteca Central, mas a candidata do PT teve acesso a ela para fazer campanha eleitoral, evidenciando que a UnB é mais um instrumento político para piorar este país (o qual vai muito mal).

A Universidade de Brasília deixou de ser uma instituição pública de ensino superior. Ela pode parecer isso, mas somente de longe, de muito longe. De perto, o que se vê é muito mais do que o simples aparelhamento político-ideológico da instituição (como se isso fosse um probleminha!): o que se vê é a deformação, em último grau, da razão de ser de uma universidade pública federal. O que pensar de uma instituição em que os estudantes são preteridos em favor de uma candidata em período de campanha eleitoral - e, pior, a candidata do governo, aquele que supostamente deveria zelar pela qualidade na educação?

Qual é o recado que a Reitoria e o movimento grevista mandou com esse "pequeno" gesto de apreço por Dilma Rousseff? Que nós, estudantes da universidade, não temos importância alguma. Em momento algum, o reitor, ou qualquer outro membro da Administração da universidade, levantou a voz em favor do estudantado da UnB. O que houve, além de um pesado e amargo silêncio conivente, foram reiteradas manifestações de apoio à greve dos servidores. Só que, como se pôde ver, a greve foi bastante flexível, ao contrário do que se pregava desde o começo pelo próprio movimento grevista. Enquanto muitos alunos tiveram de se virar como podiam para dar prosseguimento a seus estudos - não foram poucos os que tiveram que comprar os livros utilizados durante o semestre em virtude do fechamento da BCE -, a equipe da campanha de Dilma teve acesso irrestrito à biblioteca.

São atitudes como essa que provam não apenas o caráter real de quem está à frente da administração da UnB, mas também o grau de contumaz mutilação da qual nós, membros da comunidade acadêmica da universidade, temos sido vítimas. A UnB de antes, que dava orgulho a todos, é apenas uma lembrança, quase uma ilusão. Hoje, não passa de uma grande piada. E de mau gosto.

sábado, 18 de setembro de 2010

Medo, vulnerabilidade pessoal e segurança na UnB

Caros(as),

Retomo a cena política institucional de nossa Universidade, a despeito de hoje ser co-gestor de uma unidade, para não perder de vista um dos temas fundamentais que me motivaram estar nesta universidade: o ser humano! E volto a me posicionar, como sempre fiz, como cidadão e professor individualizado...

Desde o dia 02/09/2010 que venho me incomodando, inicialmente com a minha “letargia política pessoal” sobre este tema em particular, porém, neste exato momento, me dou conta de “uma certa letargia social construída” em nossa universidade.

Sem querer explorar em demasiado o caso que informei – ou mais que isto, que me incomodou, posto que é pessoa de minhas relações afetivas (mote principal, a meu ver, das relações humanas, até para preservar a pessoa), mas não posso ser conivente com o que aconteceu, com o que tem se descortinado a partir do evento, dos discursos usados, repetidos e construídos, e, infelizmente, da absoluta fragilidade com que, nós seres humanos, estamos submetidos frente a outros – considerados marginais – e a “política do avestruz consciente”.

Assim, gostaria de trazer à balia não “mais um caso particular num universo de 40.000 pessoas”, mas a fragilidade de todos(as) nós diante da violência que grassa nossa sociedade e que está, infelizmente, aumentando exponencialmente na nossa universidade. O meu mote é, como bem disse uma professora, colega nossa, “a dor de um é a dor de todos”!

Os pequenos furtos, os roubos de equipamentos, os arrombamentos de carros, os roubos de pneus e estepes, os estupros, as batidas de carro, os estacionamentos irregulares, todos, absolutamente todos, são contextos de criminalidade que povoam nossa universidade, infelizmente. E digo isto não apenas por mero discurso “panfletário-ideológico”, mas de constatação – infelizmente – diária.

Gostaria de dizer, pela minha militância e posicionamentos políticos nos últimos anos, que não quero fazer deste tema mais uma “plataforma de agitação”, mas não posso – ou não devo, e não quero – me calar diante de nossas fragilidades pessoais e contextuais. Afinal, “o próximo pode ser eu” e, em certo sentido psicanalítico, não posso me furtar às angústias do desamparo, do medo e da fragilidade enquanto ser humano.

Digo tudo isto, para socializar e denunciar o que ouvi nestes dias sobre o evento de um assalto a mão armada de uma professora grávida em plena luz do dia no nosso campus! E, para não ser prolixo, finalizando, apenas vou citar informações e frases que ouvi – e que me estarreceram pelos parcos princípios próprios – diante de fato tão grave:

1. “O caso (denunciado) não é o único da UnB”. Segundo autoridades de segurança, especialmente delegados de polícia, na UnB, cerca de seis casos deste tipo ocorrem todos dias (ou seja, no mínimo, 150 por mês?);

2. “As condições de apoio na UnB são precárias (seja de segurança policial seja patrimonial)”, com a polícia não tendo aparato para “atender a todos os casos” e “os nossos vigilantes (que por certo não são seguranças) não têm preparo para tal"(“aqui estão para proteger o patrimônio físico”);

3. “Foram feitas três ligações (e não é preciso falar do estado emocional da situação, por certo) e, meia hora depois, ninguém deu qualquer apoio ou orientação”!

4. “A UnB é uma cidade e como tal está sujeita às mesmas mazelas da sociedade”! E??

5. “Estamos licitando, contratando consultorias, fazendo reuniões de conselho de segurança, discutindo a situação, pois ela é complexa”! Qual o limite temporal? O de uma tragédia – que está se anunciando – e que será “justificada, entendida e apoiada moralmente” na sua conseqüência final?

6. “Este é o quinto caso de uso de arma na UnB, mas isto não corresponde aos índices do DF”! Puxa! Não sabia dos índices, ou pior, talvez não queira saber que uma pessoa estivesse tão exposta!

7. “Estamos iluminando o campus, pavimentando calçadas, cuidando de setores vulneráveis primeiro e licitando ações”... Qual o privilégio da minha vida – da nossa vida – neste processo (e sem apelações sensacionalistas, hem)?

8. “Vamos fazer uma reunião para discutir a complexidade da situação para encaminharmos as melhores soluções possíveis!” Esperando o quê? “A porta arrombada?”, posto que carros, pessoas estupradas e drogadas já são vítimas correntes?

9. Etc... Que me furto de continuar enumerando, denunciando, angustiando...

Enfim, volto à frase da professora amiga: “a dor de um é a dor de todos”: roubados, lesados, agredidos, estuprados, drogados, violentados, assustados, traumatizados na sua esperança de “ir e vir” com tranqüilidade ou na sua humanidade e direito essenciais.

Até quando?

Quando vamos de fato discutir “nossas fragilidades e desamparos pessoais” no contexto de nossa universidade, local de trabalho privilegiado pelo nosso desejo? Isto sem querer enfatizar questões de gênero, de fragilidades físicas, de idade, de (ingenu)idades, de (des)proteção, da nossa comunidade interna e da que, no nosso caso da Psicologia, em especial, é o nosso foco principal: a comunidade externa que vem, à noite, receber nossos serviços...

Cronos será a medida para Eros e Caos? Ou (re)consideraremos Eros e Ananke pais da civilização humana?

Prof. Ileno Izídio da Costa
Departamento de Psicologia Clínica da UnB

Próximo post: Eleições, marketing e greve na UnB.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Dez princípios conservadores

Quando a Juventude Conservadora da UnB iniciou-se, muito se falou a respeito de seu nome. A denominação conservador tem, desde muito tempo - especialmente no Brasil -, sido associada a conceitos, pensamentos e ideários político-sociais nada benfazejos. Quando se pensa em um sujeito conservador, normalmente se pensa em uma pessoa com concepções profundamente preconceituosas a respeito da realidade, algo que se manifesta numa espécie de tríade maldita: racismo, machismo e fascismo. O nome para nosso grupo não foi, entretanto, escolhido ao acaso. Pelo contrário: foi justamente pensando que essa associação seria feita que nos intitulamos Juventude Conservadora. Foi um teaser, um termo que, servindo de agent provocateur, suscitaria discussões e mexeria com os brios dos que se apressam em dizer que são progressistas e democratas.

Entretanto, a denominação de conservador não foi escolhida única e exclusivamente para causar alvoroço - e, a partir desse alvoroço, estimular uma discussão verdadeiramente democrática sobre ideias e posicionamentos de toda sorte, notadamente os de ordem política. Ela também reflete, e de maneira pertinente, a postura dos membros do grupo frente aos assuntos que afetam não apenas os membros da comunidade acadêmica da Universidade de Brasília, mas a todos os brasileiros. Nesse contexto, é bastante pertinente esmiuçar o que vem a ser uma pessoa conservadora.

O pensador norteamericano Russell Kirk (1918-1994) foi um dos maiores pensadores dos século XX. Filósofo, crítico social e literário, além de escritor e historiador, Kirk ficou famoso por seu livro The Conservative Mind (1953), que norteou o pensamento conservador pós-Segunda Guerra nos EUA e dava ênfase especial às ideias do político irlandês Edmund Burke (1729-1797). Em seu livro The Politcs of Prudence (1993), Kirk enumera dez princípios que podem ser observados no pensamento conservador como um todo. São eles:


1) O conservador crê que existe uma ordem moral duradoura.

2) O conservador adere ao costume, à convenção e à continuidade.

3) O conservador acredita no princípio do preestabelecimento.

4) O conservador é guiado pelo princípio da prudência.

5) O conservador está atento ao princípio da variedade.

6) O conservador é refreado pelo princípio da imperfectibilidade.

7) O conservador acredita que liberdade e propriedade estão intimamente ligadas.

8) O conservador promove comunidade voluntárias e se opõe ao coletivismo involuntário.

9) O conservador percebe a necessidade de uma prudente contenção do poder e das paixões humanas.

10) O conservador compreende que a estabilidade e a mudança devem ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade robusta.

Para compreender melhor cada um desses princípios, recomendamos a leitura do texto completo, que pode ser encontrado aqui.

Próximo post: Medo, vulnerabilidade pessoal e segurança na UnB.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O espetáculo circense dos Direitos Humanos e o papel da UnB

O tema de direitos humanos têm, ao longo dos anos, ganhado bastante notoriedade no País. E isso é excelente. Arbitrariedades contra os direitos mais básicos das pessoas são cometidas todos os dias, implícita ou explicitamente, atos que se configuram sérias ameaças à integridade física, moral e psicológica da população. A Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948, é o documento-base de defesa dos direitos humanos ao redor do mundo. Entretanto, o tema tem sido utilizado de maneira criminosa para, ao invés de proteger, subverter e ameaçar os direitos mais básicos do indivíduo.

Nos dias 16, 17 e 18 de setembro desse ano, acontecerá na Universidade de Brasília o VI Encontro Anual da ANDHEP (Associação Nacional de Direitos Humanos - Pesquisa e Pós-Graduação). O tema desse encontro será "Direitos Humanos, Cidades e Desenvolvimento". A coordenação do evento é responsabilidade da ANDHEP e da UnB, sendo a universidade representada na organização pelo reitor, José Geraldo de Sousa Júnior, e pela Prof.ª Dr.ª Nair Heloisa Bicalho de Sousa, do departamento de Serviço Social. O encontro terá, entre outras atividades, a reunião de alguns Grupos de Trabalho (GTs) que debaterão questões particulares relacionadas a temas abarcados pelo tema do encontro. Gostaríamos de destacar um desses GTs:

o GT 4 – Participação Democrática, Controle Social e Direitos Humanos
Coordenador: Félix Garcia Lopez Jr (DIEST/IPEA)
Debatedora: Jane Beltrão (UFPA/Andhep)

Este GT visa a debater as possibilidades de protagonismo social, por meio de mecanismos de participação e controle, na construção de políticas públicas em nível local, regional e nacional. Três enfoques serão priorizados. Primeiro, o da participação cidadã na gestão pública como um direito humano em si mesmo. Segundo, o dos efeitos dessa participação na melhoria qualitativa das políticas públicas, de um ponto de vista de seu potencial para a realização dos direitos humanos como a presença da cidadania ativa em mecanismos de orçamento participativo ou conselhos podem abrir espaço para demandas de minorias, questões de gênero, criança e adolescente, dentre outras. O último enfoque é o da participação social na construção e na qualificação da própria política de direitos humanos delineada no III Programa Nacional de Direitos Humanos (2009) e no Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos (2006). (Grifo nosso.)

Vocês se lembram do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos, o abjeto PNDH-3, que estabelecia, dentre outras coisas "progressistas", o "controle social" da mídia? Pois bem: o ANDHEP foi uma das primeiras organizações a apoiar integralmente o PNDH-3 através de um manifesto publicado em seu website. Gostaríamos de destacar o seguinte trecho desse manifesto:

A partir das idéias de inclusão de todos, respeito à diversidade, garantia de participação, interdependência e universalidade dos direitos humanos, entende-se que o 3º. Plano oferece condições de ser uma importante diretriz democrática a guiar o país no trilho dos avanços mais notórios alcançados neste âmbito nas democracias mais consolidadas do mundo, bem como em sintonia com as premissas normativas extraídas da ordem internacional. (Grifo nosso.)

"Importante diretriz democrática"? Há controvérsias - e muitas, vale frisar - com relação ao caráter democrático do PNDH-3. Não falaremos sobre isso. Faremos melhor: vamos mostrar qual é a opinião de um dos mais tarimbados juristas brasileiros, reconhecido no mundo inteiro, sobre o PNDH-3. Com a palavra, o Dr. Ives Gandra Martins:


Sobre o real caráter PNDH-3, gostaríamos de destacar a última afirmação dada pelo Dr. Ives Gandra na entrevista: "É um decreto preparatório para um regime ditatorial". Disfarçar mecanismos de ataque a direitos e garantias individuais justamente sob o pretexto de salvaguardar esses direitos e garantias é o que realmente objetiva o PNDH-3. Essa lógica contraditória, que parece contaminar a essência do decreto, é um dos elementos centrais da trama 1984, escrita por George Orwell: é o duplipensar. O duplipensar foi assim definido por Orwell:

Saber e não saber, ter consciência de completa veracidade ao exprimir mentiras cuidadosamente arquitetadas, defender simultaneamente duas opiniões opostas, sabendo-as contraditórias e ainda assim acreditando em ambas; usar a lógica contra a lógica, repudiar a moralidade em nome da moralidade, crer na impossibilidade da Democracia e que o Partido era o guardião da Democracia; esquecer tudo quanto fosse necessário esquecer, trazê-lo à memória prontamente no momento preciso, e depois torná-lo a esquecer; e acima de tudo, aplicar o próprio processo ao processo. Essa era a sutileza derradeira: induzir conscientemente a inconsciência, e então, tornar-se inconsciente do ato de hipnose que se acabava de realizar. Até para compreender a palavra "duplipensar" era necessário usar o duplipensar.

Cabe, aqui, dar destaque a um outro aspecto de todo o espetáculo ligado ao VI Encontro Anual da ANDHEP. O reitor José Geraldo e a Prof.ª. Dr.ª Nair Bicalho integram o grupo de pesquisa "Direito Achado na Rua". O "Direito Achado na Rua" é um movimento de esquerda criado a partir de uma expressão do jurista Roberto Lyra Filho para definir o Direito proveniente das ações dos movimentos sociais - considerando, como organizações legítimas dentro dos movimentos sociais, grupos como o MST, que se vale de métodos criminosos na defesa de ideais "libertários".

O que podemos apreender disso tudo? A Universidade de Brasília tem sido, sistematicamente, utilizada para fomentar pensamentos, ideias e ações que, de maneira discreta ou escancarada, vão contra os princípios da democracia e do Estado de Direito. Como se pode pretender discutir direitos humanos quando o que se vê é justamente a sublevação dos direitos humanos, especialmente aqueles conhecidos como direitos e garantias individuais? Como se pode dizer que se objetiva construir uma sociedade mais justa e igualitária se a Constituição é rasgada através da defesa dessas causas "progressistas"?

A universidade deve estar a serviço dos valores democráticos, da construção de uma sociedade consciente e justa, onde o desenvolvimento econômico, social e político deve ser indissociável do respeito às leis e dos princípios mais básicos do Estado de Direito. Pretensões autoritárias, (mal-)travestidas ou não de evolução democrática, devem ser duramente combatidas. Só assim se contrói uma sociedade verdadeiramente justa.

Próximo post: Dez princípios conservadores.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A importância da pseudociência na UnB

Você já pensou em fazer uma disciplina que ensina a fazer mapa astral e, ainda por cima, ganhar créditos por isso? E que tal ingressar no mundo misterioso dos astros e dos signos como maneira, por exemplo, de definir o melhor momento para ter um filho, ou procurar emprego, ou até mesmo implementar uma política pública? Ou, então, o que acha de estudar relatórios de incidentes com OVNIs, no melhor estilo Arquivo X? Essa (sur)realidade não está muito distante da UnB dos dias de hoje.

Em nosso último texto, falamos sobre o NESCUBA (Núcleo de Estudos Cubanos), um dos Núcleos Temáticos do CEAM (Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares). Entretanto, o NESCUBA não é a única excentricidade - para não dizer absurdo - dentro da UnB. Há também um Núcleo Temático do CEAM que não trata de coisas propriamente materiais, mas de coisas transcendentais: o Núcleo de Estudos de Fenônemos Paranormais (NEFP). Isso mesmo: fenômenos paranormais. De acordo com o website do CEAM:

O Núcleo de Estudos de Fenômenos Paranormais (NEFP) realiza pesquisas em conscienciologia, terapias integrativas, ufologia e astrologia. Para os estudiosos do ramo, entender, analisar e controlar a mente humana e seus diversos relacionamentos com o todo, particularmente com a natureza, é fator crucial para o progresso de outras ciências, como a medicina e as ciências exatas.

O NEFP, coordenado pelo professor Álvaro Luiz Tronconi - que, deve-se observar, possui doutorado pela Universidade de Oxford, Reino Unido -, promove uma série de cursos, palestras, simpósios e pesquisas nessas áreas. Em agosto de 2005, o núcleo foi o responsável pela organização do I Encontro Nacional de Astrologia, que aconteceu na Universidade de Brasília. No campo das pesquisas, a mais recente foi feita em 2009. O objetivo da pesquisa foi averiguar a capacidade de diagnosticar o estado de saúde de pacientes do Hospital Universitário de Brasília (HUB) por parte de pessoas sensitivas. O resultado da pesquisa? Os sensitivos não conseguiam adivinhar as moléstias dos pacientes melhor do que um computador escolhendo doenças ao acaso.

Uma das pessoas que participou dessa pesquisa, e que já ministrou um curso de paranormalidade na UnB (promovido pelo NEFP em 2001), foi a autointitulada vidente Rosa Maria Jaques. Caso tenha a impressão de já ter lido ou ouvido esse nome antes, você não está confuso: Rosa Maria Jaques foi a mulher que resolveu "ajudar" as investigações do assassinato do ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, de sua esposa e de sua empregada - o chamado crime da 113 Sul. A tal vidente, juntamente com seu marido (que também participou do curso de 2001), são acusados de atrapalhar as investigações do crime. Curiosamente, o Prof. Dr. Tronconi, de acordo com o jornal Folha de São Paulo, já havia dito diz que "sensitivos poderiam também ajudar a polícia. Suas opiniões não deveriam servir como palavra em tribunais, diz, mas eles deveriam fazer parte das equipes de investigações." O caso da vidente motivou, inclusive, um requerimento do Instituto de Física ao Conselho Universitário (CONSUNI) pedindo a extinção do NEFP tendo por base o argumento de que o núcleo não promove pesquisas científicas, mas práticas classificadas como pseudociência.

Uma reportagem da edição nº 1803/2004 da revista Isto É ajuda a compreender um pouco mais como pensa o coordenador do NEFP:

O pesquisador considera a crença em Deus uma bengala psicológica, mas acredita em cirurgia espiritual. Só que para ele não se trata de um fenômeno religioso. Ele teve essa certeza ao ser curado de uma hérnia-de-disco pela força mental de uma enfermeira. Raios X, feitos antes e depois do episódio, comprovam a cura. Ela se concentrou, colocou a mão sobre sua coluna vertebral e "navegou" mentalmente pelo interior do seu corpo - um fenômeno, segundo o professor, conhecido como projeção heteroscópica. "Se podemos melhorar nossa oratória, também podemos dominar a bioenergia e usá-la para nos teletransportar ou curar doenças", diz. Apesar da resistência de muitos colegas, Tronconi pretende medir a energia emitida pelas mãos e seus efeitos no crescimento de camundongos. (Grifo nosso.)

Será que ainda é preciso dizer que essa situação se configura num dos maiores absurdos que pode haver em uma universidade pública? O NEFP tem base em crenças que forçosamente buscam vínculos com a ciência e que, a bem da verdade, podem ser encaradas como uma violação do princípio de laicidade que orienta o Estado brasileiro. Promover pesquisas nessa linha seria o mesmo que tentar, por exemplo, transformar uma hóstia em carne ou vinho em sangue durante uma missa dentro de um laboratório de pesquisa. O que seria dito se isso acontecesse? Que, logicamente, trata-se de um absurdo que beira o surreal.

Ciência e (o que quer que se aproxime de) religião são conhecimentos complementares. Isso é ponto pacífico. Entretanto, existem lugares próprios para essas duas coisas. Assim como uma sinagoga, ou uma igreja, ou uma mesquita não são os lugares onde se fomenta a pesquisa científica, universidades não devem ser usadas para dar pseudocientificidade a crenças de cunho religioso ou espiritualista. Isso é desvirtuar o papel da universidade, mutilando sua essência, transformando-a em motivo de chacota.

Para finalizar, gostaríamos de citar as palavras que Hélio Schwartsman, articulista do jornal Folha de São Paulo, escreveu em 11 de agosto de 2005 sobre a maluquice representada pelo NEFP:

Não estou, com minhas reprimendas à UnB, me insurgindo contra o princípio da liberdade acadêmica, que reputo fundamental para a pesquisa científica. Mas mesmo este precisa ser utilizado com algum bom senso, ou entramos no reino do vale-tudo. Se o Nefp pode pretender investigar a astrologia e discos voadores, amanhã alguém poderá propor --e conseguir-- que a UnB financie uma expedição científica ao pólo Norte em busca de Papai Noel. Em termos rigorosos ninguém até hoje demonstrou que o bom velhinho não existe.

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sábado, 4 de setembro de 2010

Viva la Revolución?

Por ocasião da Cúpula das Américas, ocorrida em Trinidad e Tobago em abril de 2009, o então presidente da Costa Rica, Oscar Arias, dirigiu-se aos chefes de Estado ali reunidos sobre a realidade política e econômica da América Latina. Em dado momento de seu discurso, afirmou:

“Vá alguém a uma universidade latino-americana e parece, no entanto, que estamos nos anos sessenta, setenta ou oitenta. Parece que nos esquecemos de que em 9 de novembro de 1989 aconteceu algo de muito importante, ao cair o Muro de Berlim, e que o mundo mudou.”

A lucidez dessa afirmação carrega uma verdade que, infelizmente, pode ser facilmente constatada em qualquer universidade da América Latina. A Universidade de Brasília, evidentemente, não escapa a essa sorte.

O Centro de Estudos Avançados Multidisciplinares (CEAM) foi fundado em 1986 com o objetivo de “coordenar e desenvolver atividades de caráter multidisciplinar na Universidade de Brasília”. É composto por 33 Núcleos Temáticos (NTs) e um projeto especial, o Observatório da Juventude. Um desses NTs é o Núcleo de Estudos Cubanos – NESCUBA. De acordo com o website do CEAM, o NESCUBA “realiza cursos e eventos, desenvolve pesquisas e ações relacionadas a temas sobre a realidade cubana, organiza publicações e promove o intercâmbio entre professores e profissionais do Brasil e de Cuba.”

A compreensão da realidade cubana, especialmente na atual conjuntura política brasileira, é extremamente importante. Desde 1959, Cuba é governada pelo Partido Comunista Cubano, o único partido político da ilha. O regime castrista é uma das ditaduras mais antigas do mundo, sendo responsável pela morte direta de mais 70 mil opositores ao longo de meio século. Ficou bastante conhecido o recente caso do preso político Orlando Zapata, que morreu após uma longa greve de fome em protesto pela perseguição política na ilha. Na época, inclusive, o presidente Lula comparou os perseguidos políticos cubanos aos presos comuns brasileiros, o que causou justa indignação ao redor do País.

Entretanto, a professora Maria Auxiliadora César, coordenadora do NESCUBA, parece ter uma visão bastante particular (e diametralmente diferente) daquela que é divulgada pelo CEAM. Confiram:


Gostaríamos de destacar um trecho em especial, que transcrevemos a seguir:

“Foi uma iniciativa do professor Hélio Doyle, da Comunicação, e em torno dele nos reunimos vários professores, e criamos esse núcleo inclusive para apoiar também a Revolução Cubana como um farol de um novo sistema na América Latina, inclusive no Brasil.”

Apoiar a Revolução Cubana. Sim, é a isso que se destina, verdadeiramente, o NESCUBA. Esse NT não tem o propósito de estudar a realidade cubana, ou de traçar paralelos entre o Brasil e aquele país como maneira de intercambiar essas duas realidades tão distintas como forma de construir conhecimento científico. Nada disso: o NESCUBA se destina a propagandear o regime ditatorial castrista – que transforma oposição em crime, tal qual o pensamento-crime na Oceânia do livro 1984 (de George Orwell) – como um modelo a ser seguido pela América Latina afora, especialmente pelo Brasil. Aliás, a opinião do NESCUBA sobre os presos políticos cubanos está muito bem clara em um dos textos do blog do núcleo (clique aqui para lê-lo).

As pessoas que defendem a Revolução Cubana como um modelo a ser seguido, como uma alternativa possível a um regime democrático (por mais desigual que seja), podem ser corretamente divididas em dois tipos: o primeiro, quase inofensivo, é o dos ingênuos úteis, que não conhecem a natureza do regime cubano e se deixam levar pelas palavras doces do romanceiro comunista; e o segundo, bem mais perigoso, que é o das pessoas que não possuem nenhum tipo de apreço pela democracia, pela liberdade e pelo Estado de Direito, conceitos basilares de nossa Constituição. A qual desses dois grupos pertence a professora Maria Auxiliadora? A foto abaixo pode ajudar a elucidar esse questionamento.

Prof.ª Maria Auxiliadora participando do III Encontro Nacional de Pesquisa em Educação no Campo

O que mais impressiona é que pessoas que defendam um regime totalitário o façam de maneira institucional sem que nada, nem ninguém, chame a atenção para o absurdo que é esse fato. Entretanto, nós da Juventude Conservadora da UnB nos recusamos terminantemente a observar isso de maneira impassível. Manifestar nossa indignação é o mínimo que podemos fazer – e, infelizmente, na atual conjuntura política dentro da universidade, talvez seja o máximo, tendo em vista o brutal aparelhamento ideológico observado nos últimos anos.

A universidade deve ser palco para a defesa de regimes autoritários, que perseguem todo e qualquer foco de discordância, ou deve promover valores como democracia e liberdade? Pense sobre isso.

Próximo post: A importância da pseudociência na UnB.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O descalabro da segurança na UnB continua

Caros leitores,

Mais uma vez, interromperemos a ordem estabelecida de postagem e pedimos desculpas por isso. É por uma causa justa.

Recentemente, firmou-se convênio entre a Polícia Militar do Distrito Federal e a Universidade de Brasília como uma das medidas para aumento da segurança dentro do campus Darcy Ribeiro. Como já falamos aqui, a presença de policiamento ostensivo é certamente essencial para aumentar a segurança, mas não deve ser a única medida.

Segue abaixo mensagem da direção do Instituto de Psicologia sobre fato ocorrido na quinta-feira. A mensagem foi encaminhada a nós pelo leitor Pedro Melo. Em seguida, comentamos.

À Comunidade do IP,

A Direção do Instituto de Psicologia vem a público lamentar e ser manifestar de forma indignada com a ocorrência da agressão sofrida pela nossa professora do PED, grávida, no estacionamento do ICC Sul, ontem (02/09) ao final do dia, seguida de roubo de seu carro com assalto à mão armada.

Queremos manifestar também nossa imensa preocupação não só com a comunidade geral da UnB, mas, e particularmente, com a comunidade do IP que hoje é composta por mais de 1500 pessoas entre docentes, estudantes de graduação, de pós-graduação e clientes (comunidade externa), de todas as idades (crianças, adolescentes, pacientes e idosos).

Neste sentido, chamamos toda a comunidade a se manifestar, incluindo a notificação formal à nossa Direção de outras ocorrências deste tipo, para que possamos subsidiar ações e exigir das instâncias competentes (Administração Central, Polícias Civil, Militar e Governo do Distrito Federal) a proteção de nossos direitos fundamentais de segurança e proteção à vida.

Informamos finalmente que estaremos nos reunindo ainda hoje com a Decana de Assuntos Comunitários para debater o assunto e encaminharemos oportunamente as providências cabíveis com a devida documentação. Comunicaremos em seguida os resultados de nossa reunião e nossas decisões imediatas sobre o assunto.

Cordiais saudações.


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Profs. Gardênia Abbad (Diretora) e Ileno Costa (Vice-Diretor)
Instituto de Psicologia
Gestão 2010-2014

O que a Reitoria tem feito pela comunidade acadêmica da UnB? O que está sendo efetivamente feito em prol de todos aqueles que têm suas vidas vinculadas à Universidade de Brasília? Uma palavra responde a isso: NADA!

A direção da Universidade de Brasília, representada na figura do reitor José Geraldo, é mais do que uma administração leniente - que trata com mesuras e palavras melífluas toda uma gama de delinquentes estudantis, dos simples promotores da esbórnia aos militantes "progressistas" que atropelam tudo e todos em nome de sua ideologia - e desatenta. O que temos é, verdadeiramente, uma administração cuja parvoíce beira a conivência obscena com o caos que vêm deteriorando a universidade.

No dia 25 de agosto, teve lugar no Quartel-General do Exército Brasileiro uma das maiores piadas da história da Universidade de Brasília: o reitor José Geraldo foi condecorado com a Medalha do Pacificador. De acordo com informações do Exército Brasileiro, a Medalha do Pacificador é destinada àqueles que tenham "prestado assinalados serviços ao Exército, elevando o prestígio da Instituição ou desenvolvendo as relações de amizade entre o Exército Brasileiro e os de outras nações."

É provável que alguém que tenha prestado serviços de alguma distinção ao Exército a um tal nível que justifique sua condecoração seja uma pessoa que preze pela ordem, pela segurança e pela legitimidade. Essa lógica é tão certa que ninguém precisa possuir uma inteligência notória para compreender. E o que temos visto acontecer na UnB ao longo desses últimos dois anos? Por acaso a universidade se tornou um lugar mais seguro, mais ordeiro? Nada disso! A universidade está em frangalhos, erodindo a cada dia sobre alicerces que, pouco a pouco, apodrecem. O descalabro da segurança na UnB é tão patente que a notícia dessa condecoração chega a ser um insulto a todos aqueles que se dedicam seriamente à instituição e a tudo o que ela deveria representar - ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento, educação, cidadania e liberdade.

Quantas pessoas precisarão ser vítimas de violência dentro da Universidade de Brasília até que atitudes realmente concretas sejam tomadas para que alunos, professores, funcionários e demais membros da comunidade universitária tenham realmente proteção? Será que alguém precisará perder a vida para que a gravidade dessa situação seja encarada de maneira séria e comprometida pela Reitoria?

Essas perguntas só ficarão sem resposta se nós deixarmos com que não sejam respondidas. Aja contra isso! Espalhe a notícia, converse com seus colegas, debata essa questão. A universidade é sua! Proteja-a!